Naral


Lembro-me da vida simples que um dia
Lá na roça  ao lado de teus pais, ele vivia...
Acreditava cegamente em Papai Noel,
Como navegar em mar revolto, em barquinhos de papel.

Para que Papai Noel o visitasse,
Tarefas árduas, era preciso que acabasse!
Contra o tempo teus irmãos determinavam...
Pouco faziam, apenas delegavam.

Assim, este pequeno ser, iludido...
Pelos caminhos áridos, de chão batido,
Capinava e entendia que estava tudo lindo!
E aguardava ansioso, Papai Noel que vinha vindo.

Mas eis que chega a Noite de Natal
Sapatinho na janela, era um sonho real.
Pulou da cama. Saiu correndo a mil
Chegando perto constatou. Ele estava vazio...

Mil motivos tinham, pra este fato acontecer
Teus pais não entendiam que sonhar era viver...
_"Por que Papai Noel, de mim se esqueceu?"
Ele só queria entender... Mas ninguém lhe respondeu!

De súbito alguém falou - pra aumentar tua tristeza,
"Papai Noël não veio. "rejeitou tua limpeza"...
Os caminhos pelos quais ele teria que passar...
Não estavam adequados, tuas botas iam sujar".

A culpa  tomou conta, do então pequeno ser
Não tinha um lugar onde pudesse se esconder! 

Fugiu angustiado para o fundo do quintal
Acabou a ilusão do presente de Natal!

A dor maior veio logo, quando pode perceber
Que o mato dos caminhos, era preciso remover,
E que Papai Noel era uma enganação.
Sentiu-se então traído...Chorava o teu coração!

Passou o tem, e hoje, como último pedido
De alguém que teve um dia teu sonho tolhido
Ser honesto é um jeito de amar
Não tire do teu filho o direito de sonhar!
No circo da ilusão dos teus sonhos de criança,
Cresceu, nem sabe mais onde ficou a tua infância
Superou os caminhos onde o sonho se perdeu
Neste palco o personagem da história, era eu.

Marina Mayer / Dezembro de 2006
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Comentários

Oi amiga!
que lindo poema!
Sabe que fui lendo e voltando ao tempo...
E lembrei de um sapatinho branco como o único presentinho que ganhei em um natal e havia pedido uma boneca... Olhei para o sapatinho e logo tomei de paixão... Calcei e saí correndo literalmete... Passei pela rua de cima e a de baixo com meu sapatinho novo! O coração batia forte de tanta alegria!
E acreditei mesmo ser um presente de papai noel.
Beijos amiga e luz para vc sempre!
Marina Mayer disse…
Este poema foi o retrato da minha infância. Percorro mentalmente os caminhos pelos quais acreditava que papai noel passaria com sua enorme sacola de presentes.

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